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  • Boas práticas para uso de Tags (Playbook)

Boas práticas para uso de Tags (Playbook)

1 – Objetivo #

O objetivo deste Playbook é apresentar boas práticas para o uso de tags em recursos de TI, com foco em governança, rastreabilidade de custos, segurança e conformidade. Além disso, um objetivo muito especial deste playbook é ser um guia didático sobre o uso de metadados para FinOps.

2 – Escopo #

Esse playbook se aplica a todos os tipos de metadados, embora adote nomenclatura de “tag”, o que pode aludir inicialmente ao ecossistema Azure. Entretanto, o conteúdo pode ser utilizado também em ambientes on-premises e nas demais clouds como AWS, GCP e Huawei.

3 – Benefício no uso de Tags #

3.1 – Visibilidade e Rastreabilidade de Custos #

As tags permitem associar recursos de TI diretamente aplicações, áreas de negócio e centros de custo. Assim é possível identificar quem está consumindo/o quanto está sendo consumido. Esse benefício garante a distribuição correta dos custos entre os seus respectivos responsáveis.

3.2 – Governança e Segurança da Informação #

Tags contribuem para maior controle e visibilidade sobre o ciclo de vida dos recursos. É possível utilizá-las como um reforço de segurança da informação, reduzindo riscos de exposição e identificando todos os recursos que possivelmente possam ter sido afetados por um cyber ataque.

3.3 – Automação de Processos #

Diversas automações utilizam tags como gatilhos, automatizando tarefas como Start/Stop de servidores, ciclo de vida de armazenamento de dados, monitoramento de recursos e escalabilidade. Trata-se de uma estratégia que reduz custos operacionais e garante padronização dos processos.

3.4 – Suporte a auditorias e compliance #

Organizações estão sujeitas a regulamentações e normas específicas, como LGPD, ISO e afins. As tags oferecem suporte direto para classificar recursos auditáveis ou de conformidade necessária, facilitando inclusive a rastreabalidade e consistência na criação de relatórios. Segue abaixo exemplos:

  • Classificação de dados: {Compliance:LGPD}
  • Criticidade do recurso: {Compliance:Confidential}
  • Status de aderência: {Compliance:Auditing}

Esse tipo de tag permite que as auditorias se tornem mais rápidas.

3.5 – Organização de Recursos #

Em ambientes complexos, que podem abranger múltiplas clouds, regiões e projetos, a aplicação de tags garante uma estrutura lógica de organização que vai além dos agrupamentos nativos de cada provedor. Isso simplifica a localização, categorização e gerenciamento de ativos, além de reduzir desperdícios com recursos órfãos ou duplicados.

4 – Convenções de Nomeação e Padrões #

A adoção de convenções de nomeação para tags e seus valores é fundamental para garantir consistência, confiabilidade e rastreabilidade na classificação de recursos. Sem padronização, as tags perdem valor, já que pequenas variações ortográficas ou semânticas podem gerar fragmentação de dados e inviabilizar relatórios de FinOps, compliance ou segurança.

Recomendações: #

  • Consistência: as chaves e valores precisam ser documentadas e padronizadas, para evitar variações. Exemplo: Application ≠ APPLICATION ≠ application
  • Clareza: as chaves e valores precisam ser de fácil identificação para todos os times.
  • Convenções: tags precisam adotar uma forma uniforme e um idioma padrão. Recomenda-se utilizar letra maiúscula no início ou CamelCase, sem espaços, caracteres especiais ou acentos.
  • Granularidade adequada: as tags precisam ser auditadas frequentemente, para garantir adoção integral.
  • Escopo organizacional: a convenção de nomenclatura precisa ser aplicável em todas as áreas, ambientes e provedores de nuvem. É preciso estipular um catálogo corporativo de tags válidas.
  • Automações: níveis maiores de maturidade demandarão a utilização de scripts, ferramentas, policies e pipelines para validar os padrões adotados.

Modelo básico de tags #

Uma boa prática é exigir tags somente para metadados básicos necessários, e para isso, um padrão recomendado utilizaria as seguintes tags:

  • Environment: diferenciar os custos de produção, desenvolvimento e homologação.
  • Application: identificar a aplicação a qual os recursos pertencem.
  • Owner: identificar a pessoa ou equipe que deve prestar contas pelo recurso.
  • CostCenter: setor da organização onde os custos devem ser alocados.
  • Compliance: identificar requisitos regulatórios, normas ou classificações específicas que determinado recurso deve seguir.

Observação: adotando um modelo híbrido de governança, podemos substituir as tags de Environment e CostCenter por algum dos componentes de hierarquia de contas.

5 – Procedimentos de Aplicação de Tags #

5.1 – Camadas complementares à governança por Tags #

Tags são mutáveis e não suportadas por todos os tipos de recursos. Assim, devem ser vistas como um complemento a estruturas de governança nativas da nuvem e da TI tradicional, e não substitutas.

Hierarquias de contas permitem construir uma estratégia bem-sucedida de alocação de custos, fazendo uso dos agrupamentos lógicos abaixo.

5.1.1 – Subscriptions / Accounts / Tenants

Pode ser utilizado para separar ambientes, como produção, desenvolvimento e homologação. Em caso de Holdings composta por empresas diversas, recomenda-se que cada empresa possua suas próprias subscriptions.

5.1.2 – Resource Groups / Projects / Folders

Criar agrupamentos lógicos que façam sentido com a organização interna de cada empresa, podendo representar ambientes, caso não haja separação por Subscription. Também podem ser utilizados para organizar recursos específicos de determinadas aplicações.

5.1.3 – Management Groups / Organizations / Hierarchias

Utilizar para definir políticas centralizadas de compliance, custo e segurança de várias Subscriptions pertencentes à uma determinada Unidade de Negócios ou Organização.

5.1.4 – Naming Conventions (Padrões de Nomeação)

Padrões de nomenclatura de recursos que sejam claros, consistentes e obrigatórios a todos os recursos.

5.2 – Modelo Híbrido de Governança #

Considerando as camadas complementares de governança listadas acima, podemos dizer que o modelo de governança ideal não é aquele que adota tags como sua principal ferramenta, e sim aquele que faz a combinação ideal entre:

  • Hierarquias de contas fortes e bem planejadas (RGs, Subscriptions, Management Groups, etc.). A maneira como a infraestrutura é organizada formará a primeira camada estratégica de alocação de custos, permitindo isolar os custos de ambientes ou aplicações.
  • Naming Convention clara e consistente, aplicada a todos os recursos. Deve-se encorajar a organização a ter um padrão de nomenclatura e processos bem definidos para assegurar que ele seja seguido a risca.
  • Tags complementares, para granularidade, relatórios financeiros (FinOps), automação e casos de uso específicos (auditoria, compliance). As tags ajudam a passar os gastos existentes para seus respectivos responsáveis.

Assim, caso uma tag esteja ausente, ainda existe a categorização básica pelo agrupamento lógico. Se o recurso não aceitar tags, ele ainda pertencem a uma estrutura que traz contexto; e, se uma auditoria exigir rastreabilidade, será possível cruzar todos os dados acima para garantir consistência nas informações prestadas.

5.3 – Herança de Tags #

Uma opção eficaz para garantir que o maior número possível de recursos esteja tagueado é utilizar a replicação de tags de um recurso pai para seus recursos filhos, como no caso de backups e discos atrelados a um determinado servidor. Alguns provedores, como a Azure, permitem a herança de tags à nível de Resource Group, garantindo que todos os recursos criados dentro daquele agrupamento recebam as mesmas tags.

5.4 – Políticas de Tagueamento #

Para assegurar que as tags obrigatórias sejam declaradas em recursos que serão criados, o administrador da nuvem poderá criar Policies que impeçam a criação de novos recursos sem as chaves e/ou valores de tags obrigatórias.

Caso um usuário tente realizar a criação do recurso em desconformidade, uma política de Deny impedirá a criação do novo artefato no ambiente, notificando o usuário para que ajuste as tags antes da nova tentativa de deploy.

6 – Governança e Responsabilidades (RACI) #

Governança e Responsabilidades sobre TAGs (Matriz RACI)

7 – Checklist de Conformidade #

O checklist abaixo deve ser utilizado periodicamente pelas equipes de Governança, FinOps, Infraestrutura e Auditoria para assegurar que o uso de tags esteja consistente, atualizado e aderente às políticas definidas.

7.1 – Estrutura e Padrões #

  • Existe um catálogo oficial de tags definido e documentado.
  • Todas as tags possuem chave (Key) padronizada em conformidade com as convenções estabelecidas.
  • Os valores (Values) seguem os padrões acordados (listas controladas, formatos de datas, identificadores).
  • O catálogo é revisado periodicamente para refletir mudanças de negócio, governança e compliance.

7.2 – Aplicação e Cobertura #

  • Todos os recursos críticos possuem as tags obrigatórias aplicadas.
  • Existe cobertura mínima (%) de recursos tagueados definida (ex.: 95%).
  • Recursos que não suportam tags estão devidamente mapeados e compensados por outras estratégias (ex.: tags sintéticas, convenções de nomes, agrupamentos lógicos).
  • Recursos recém-criados recebem tags no momento da criação (automação ou política de bloqueio).

7.3 – Governança e Consistência #

  • Tags não possuem valores inconsistentes (ex.: “Produção”, “Prod”, “PRD”).
  • Tags críticas (ex.: Owner, CostCenter, Compliance) são validadas periodicamente.
  • Existe processo de correção de tags inválidas ou ausentes (alertas, automação, runbooks).
  • Existe clareza sobre quem é responsável por cada tag (conforme matriz RACI).

7.4 – Uso e Integração #

  • Tags são utilizadas para rateio de custos (FinOps) de forma confiável.
  • Tags estão integradas com políticas de segurança (ex.: controle de criptografia, ambientes críticos).
  • Tags são utilizadas em automação de processos (ex.: desligamento automático de VMs não produtivas, backups, escalabilidade).
  • Tags estão integradas a relatórios de auditoria e compliance.

7.5 – Auditoria e Monitoramento #

  • Existem relatórios periódicos de conformidade de tags (mensal, trimestral).
  • Gaps de cobertura ou inconsistências são monitorados e reportados.
  • Auditoria externa ou interna consegue cruzar informações entre tags, hierarquias e naming conventions.
  • Há plano de ação para redução de desvios quando identificados.
  • Tags são utilizadas para identificar recursos que precisam atender normas regulatórias e compliance.

8 – Ferramentas de Apoio #

A gestão eficiente de tags depende não apenas de políticas e processos, mas também de ferramentas que facilitem sua aplicação, monitoramento, auditoria e automação. Abaixo estão exemplos de ferramentas que podem apoiar o processo:

8.1 – Ferramentas Nativas das Clouds #

8.1.1 – Azure

  • Azure Policy: permite criar regras para obrigar ou corrigir tags em recursos e resource groups.
  • Azure Cost Management + Power BI: relatórios de custos baseados em tags.
  • Azure Resource Graph: consultas para identificar recursos sem tags ou com tags inválidas.

8.1.2 – AWS

  • AWS Tag Editor: ferramenta para visualizar e gerenciar tags em múltiplos serviços.
  • AWS Organizations + Service Control Policies: aplicar políticas centralizadas de governança.
  • AWS Cost Explorer / CUR: relatórios financeiros baseados em tags.

8.1.3 – Google Cloud (GCP)

  • Resource Manager Labels: equivalente a tags para organizar recursos.
  • Billing Reports: permite filtrar custos por labels.
  • Policy Controller: validação de políticas de metadados em clusters.

8.1.4 – Huawei Cloud

  • Tag Management Service (TMS): permite criar, gerenciar e aplicar tags em múltiplos serviços.
  • Cost Center: relatórios de custos filtrados por tags.

8.2 – Automação e Análise de Dados #

  • Infra as Code (IaC): Terraform, Bicep, ARM Templates, CloudFormation → permitem definir tags já no provisionamento.
  • Scripting & Automação: PowerShell / Azure CLI / AWS CLI permitem criar scripts para validação e correção de tags.
  • Python (Pandas): análise de arquivos de billing para reconstruir tags ausentes a partir de naming conventions ou regras de negócio.
  • Monitoramento & Alertas: Grafana / Prometheus para criação de dashboards que mostram cobertura de tags. Azure Monitor / AWS CloudWatch / GCP Operations para a geração de alertas para recursos não conformes.

9 – Limitações das Tags e Complemento da Governança #

Embora tags sejam uma estratégia importantíssima para classificação e organização de recursos, é necessário sempre considerar:

9.1 – Nem todos os recursos suportam tags #

Alguns recursos podem não permitir o uso de metadados. Desta forma, o usuário deve ponderar se critérios críticos para classificação ou rateio de custos devem estar vinculados à uma determinada tag, já que na prática nem todos os recursos poderão utilizá-las.

Assim, haverá um total de gastos não tagueados que precisará ser auditado através de análise de dados. A fim de reduzir ao máximo este cenário, podemos levar em conta as seguintes recomendações:

9.1.1 – Primeira recomendação: Adotar ferramenta que permita aplicação de Tags Sintéticas:

Ferramentas de gestão de custos, como a Cloud8, por exemplo, permitem a utilização de Tags Sintéticas. Este recurso permite que a plataforma gerencie tags agnósticas em seu próprio workload, aplicando-as inclusive a recursos que nativamente não podem ser tagueados.

Essa estratégia também conta com a vantagem de permitir o gerenciamento de metadados de diversos provedores de serviço diferentes de maneira unificada.

9.1.2 – Segunda recomendação: Tags de Agrupamentos Lógicos

Alguns provedores de nuvem permitem tagueamento em agrupamentos lógicos. A Azure, por exemplo, permite a aplicação de Tags em Resource Groups.

Assim, uma estratégia eficaz para lidar com recursos que não podem ser tagueados em ambientes cujos agrupamentos falharam na adoção de Naming Conventions é aplicar metadados nos mesmos. Assim é possível mitigar os impactos da não conformidade com o padrão de nomenclatura, bem como identificar custos de recursos que não permitem marcação nativa.

9.1.3 – Análise de Dados com base em arquivos de billing

Utilizando bibliotecas para análsie de dados, como Pandas (Python), é possível criar scripts com regras para preenchimento da coluna de Tags utilizando as próprias convenções de nomenclatura e outras regras de negócio da organização.

9.2 – Metadados não são imutáveis #

Tags podem ser alteradas manualmente ou removidas inadvertidamente, o que pode comprometer sua confiabilidade se não houver automação e governança adequadas.

9.3 – Dependência exclusiva de Tags gera risco #

Se toda a categorização de compliance, segurança ou custos estiver apenas em tags, perde-se a consistência quando essas tags não existem ou são aplicadas incorretamente.

Referências Bibliográficas #

Storment, J.R.; Fuller, Mike. Cloud Finops: Tomada de decisões colaborativas em tempo real sobre o valor da nuvem. São Paulo: Novatec Editora, 2025.

https://learn.microsoft.com/en-us/azure/azure-resource-manager/management/tag-policies?

https://learn.microsoft.com/en-us/azure/governance/policy/tutorials/govern-tags

https://docs.aws.amazon.com/tag-editor/latest/userguide/tagging.html

https://support.huaweicloud.com/intl/en-us/productdesc-tms/en-us_topic_0071335169.html?

https://cloud.google.com/kubernetes-engine/enterprise/policy-controller/docs/overview

https://cloud.google.com/compute/docs/labeling-resources

https://docs.aws.amazon.com/cost-management/latest/userguide/ce-what-is.html

https://docs.aws.amazon.com/awsaccountbilling/latest/aboutv2/cost-alloc-tags.html

Boas Práticas, Playbook, Tag
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Resumo
  • 1 - Objetivo
  • 2 - Escopo
  • 3 - Benefício no uso de Tags
    • 3.1 - Visibilidade e Rastreabilidade de Custos
    • 3.2 - Governança e Segurança da Informação
    • 3.3 - Automação de Processos
    • 3.4 - Suporte a auditorias e compliance
    • 3.5 - Organização de Recursos
  • 4 - Convenções de Nomeação e Padrões
    • Recomendações:
    • Modelo básico de tags
  • 5 - Procedimentos de Aplicação de Tags
    • 5.1 - Camadas complementares à governança por Tags
    • 5.2 - Modelo Híbrido de Governança
    • 5.3 - Herança de Tags
    • 5.4 - Políticas de Tagueamento
  • 6 - Governança e Responsabilidades (RACI)
  • 7 - Checklist de Conformidade
    • 7.1 – Estrutura e Padrões
    • 7.2 – Aplicação e Cobertura
    • 7.3 – Governança e Consistência
    • 7.4 – Uso e Integração
    • 7.5 – Auditoria e Monitoramento
  • 8 - Ferramentas de Apoio
    • 8.1 – Ferramentas Nativas das Clouds
    • 8.2 – Automação e Análise de Dados
  • 9 - Limitações das Tags e Complemento da Governança
    • 9.1 - Nem todos os recursos suportam tags
    • 9.2 - Metadados não são imutáveis
    • 9.3 - Dependência exclusiva de Tags gera risco
  • Referências Bibliográficas

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